Fichamento: Animação Cultural + A Ficção como uma Teoria + Drops Objetos

 Animação Cultural


"Enquanto Mesa-redonda sou objeto equilibrado. Assento firmemente, com meus quatro pés, sobre o solo da realidade."

"Qual e, prezados camaradas, a pretensa justificativa do poder repressor exercido ate agora pela humanidade sobre os objetos? A de sermos nos, os objetos, produtos humanos, inventados e construídos como propósito de servirmos a humanidade."

A discussão dos objetos está centrada no suposto controle da humanidade sobre os objetos, uma vez que foram os humanos que os criaram. A Mesa-redonda, então, critica tal preceito, defendendo a existência de uma contra-ação, a qual é a ação do mundo sobre a humanidade. 

Onde os objetos entram nisso? Os objetos seriam a síntese entre a ação dos homens sobre o mundo e a ação do mundo sobre os humanos. Nesse contexto, a humanidade sempre soube a respeito da superioridade dos objetos, forçando uma inferioridade. 


"Pais o que o mito prova e que, em nível mítico, a humanidade tenha admitido sempre a superioridade da Objetividade sabre a Animalidade, e que a humanidade tenha aspirado, em vão, a ultrapassar a sua Animalidade por reclamar-se de origem objetiva."

A partir da reflexão posta, a Mesa-redonda fala de uma das crenças criacionistas, na qual um demiurgo coloca o sopro de vida no barro, criando um humano à sua própria imagem. Isso, para a mentora da discussão, seria uma exemplificação exata do termo "animação cultural". Os humanos, dessa forma, se assumiram originalmente objetos e tentaram justificar seu domínio sobre os animais e os autênticos objetos. Nessa visão, a humanidade seria uma farsa, pois, além de não ser autenticamente pertencente a nenhum grupo, impõem uma superioridade falsa, ao tentar dominar todos os grupos. 

O texto divide os âmbitos de estudo em três:

  • Física e ciências exatas: estudam os fenômenos inanimados;
  • Biologia, antropologia e ciências inexatas: estudam os fenômenos animados;
  • Ciências da cultura: estudam os objetos.

A dificuldade encontrada não é relacionar cada âmbito com seu estudo, mas sim relacionar os três, uma vez que os objetos são produto da relação entre o animado e o inanimado, porém não podem ser facilmente definidos. Os objetos são condicionados por ambos os terrenos, ao mesmo tempo, e por isso precisam ultrapassar tais limites e afirmar sua autonomia objetiva e seus direitos.


"Mas sugiro que, enquanto a ciência não tiver ultrapassado a tendencia para a valoração, continuaremos, nós, os objetos, presos a humanidade." 

Para os objetos, tendo em vista sua Revolução, a ciência, dirigida por eles, deve estar livre de qualquer valor, alcançando a plena objetividade.


"Enquanto a cultura continuar a ser encarada como um conjunto de bens, e não como um conjunto lúdico, a nossa Revolução continuará ameaçada por reação humana. Caros camaradas: a desvalorização da cultura e a nossa tarefa suprema."

Por fim, o objetivo da Revolução é chegar até sua gloriosa mete: reconhecimento essencial do objeto como animação programadora do comportamento. O ser humano, então, não é mais determinante do objeto, mas o objeto fundamenta a ação do homem. Assim, a Animação Cultural consiste em inverter a relação "homem-objeto" existente


A Ficção como uma cesta: Uma teoria


Esse texto faz uma análise da história da humanidade, partindo de um pressuposto de que o recipiente foi uma necessidade humana anterior à caça. A autora defende uma ideia contrária à narrativa do imaginário popular, o qual dá mais importância às histórias de caça de animais como marcos da história. 


Pontos mais relevantes:
  • A história do Herói: narrativa que coloca aquele que caça e mata os animais como protagonista, trazendo um sentido de violência marcante.
  • Teoria da Cesta (Elizabeth Fisher): contraponto à visão do Herói, afirmando que antes dos objetos de violência e ferramentas de corte, surge a cesta como ferramenta que traz a energia para casa.
  • A mulher distanciada da humanidade: o ser "humano" foi associado, então, com o apunhalar, atacar e matar, e não como o colher e carregar, tarefas historicamente associadas a mulheres, tirando seu papel de construção da humanidade, principalmente no aspecto identificação com a história.
  • A importância do romance: o livro é descrito como um recipiente, que carrega palavras, que carregam coisas, que carregam sentido, ou seja, nele não há espaço para um Herói.
  • Ficção científica: a tecnologia e a ciência como cesta de culturas.

Dessa forma, a autora traz diversas referências para descontruir uma teoria com fundamentos na violência e dar atenção para uma necessidade primordial dos seres humanos: o ato de carregar/transportar. Essa reflexão me lembrou de quando eu era criança e ia guardar os brinquedos na escolinha. Eu e os meus colegas fazíamos uma competição de quem guardava mais brinquedos e mais rápido, e pra isso puxávamos a bainha da camisa de uniforme para servir como uma cesta, enchendo de brinquedos. Isso serviu, para mim, como um exemplo prático de como o "carregar" é intrínseco ao humano, desde seus primeiros momentos de vida. 

Drops Objetos:


Achei interessante a forma como a aula demonstrou o uso dos objetos com um sentido além do amplo e usual, mas também a ressignificação do objeto, principalmente no âmbito da arte.


Principais pontos a relacionar:

  1. O trecho do filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", 1968, mostrado em sala, trata alguns aspectos da criação dos objetos, abordando desde  o início da humanidade, até o desenvolvimento de tecnologias avançadas. Esse filme é citado no texto de Ursula K. Le Guin, para demonstrar a história do Herói, uma vez que o primeiro objeto teria sido supostamente um osso utilizado como arma pelo macaco, destacando a ideia de violência.
  2. Ambos os textos, somados ao Drops, me levaram a refletir sobre o papel dos objetos na sociedade, principalmente pela discussão do texto "Animação Cultural". Os objetos, principalmente hoje em dia, têm tido grande papel de controle social, emocional e cultural dos humanos, já que há uma crescente dependência de invenções humanas para a nossa sobrevivência. Um exemplo muito claro é a eletricidade. Assim, uma das coisas que mais me chamou a atenção é a relação paradoxal entre os objetos, que dependem dos humanos para serem criados e os humanos, que passam a depender dos objetos criados.
  3. O aspecto que achei mais interessante dos objetos e de alguns artistas mostrados na aula foi a ressignificação dos objetos ao tirá-los de seu devido contexto, principalmente na arte. Assim, isso se distancia da abstração, porque cada objeto continua tendo suas próprias características, mas distantes de sua função.
  4. Por fim, algo que me lembrou o livro de Hertzberger foi a afirmação do texto "A ficção como uma teoria" de que os livros são como recipientes, já que Hertzberger compara a mente a uma biblioteca, ou seja, somos como um acervo cultural. Isso permite um paralelo interessante entre o livro e a memória, os quais são ambos recipientes que carregam diferentes coisas, podendo sofrer modificações e ser consultados. 

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